
A minha pequena sereia
A minha sereia não quer o oceano,
Prefere a piscina de água aquecida,
Diz que o mar alto é muito soberano,
E que a água salgada a deixa muito moída. ☹
Usa boias nos braços, bem coloridas,
Para o caso de cauda ficar presa no anzol
Dá saltos mortais e voltas proibidas,
E salpica de água quem apanha sol. ☺
Não come algas, nem peixe grelhado,
Prefere pacotes de batata frita,
Se o cloro lhe deixa o olho encarnado,
Lança um grito, que a todos irrita. ☹
Às vezes mergulha, a fingir que procura
Pérolas raras no fundo do cano,
Toda ela é graça, leveza e frescura
E assim vai vivendo o seu quotidiano ☺
No fim do dia, cansada e com frio,
Lá sai da piscina a chorar por mais,
A minha sereia esvaziou o rio,
E quase deu cabo do juízo dos pais! ☺ ☺ ☺
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