A Teoria do Tubo e a Filosofia do Grito Libertador

Verão em família que se preze tem uma regra de ouro não escrita no contrato parental: é obrigatório picar o ponto num parque aquático ou de diversões.

Para uma mãe cujos filhos e marido são totalmente loucos por adrenalina, isto significa assinar um termo de responsabilidade emocional. Nunca fui criatura de grandes alturas; o meu instinto de sobrevivência sempre me sussurrou que atirar o corpo de um precipício elevado, tendo como única segurança uma pequena prancha de plástico e muita esperança em Deus, não é lazer — é desespero. Mas a maternidade obriga-nos a colocar os medos nas costas e a embarcar na loucura.

Este ano, decidida a não dar parte fraca, resolvi ser destemida num parque totalmente novo e enfrentei uma montanha-russa aquática. Entrei na fila em modo "fresca e fofa", com um plano mental infalível: não ia dar nem um "ai" nem um "ui". Andámos para cima e para baixo, enfrentámos grandes descidas e, quando a engrenagem finalmente travou, enchi o peito de orgulho: "Finalmente acabou e eu nem dei um pio... Espetáculo, estou a ficar mais crescida!".

Pura ilusão. Quem estava comigo olhou-me com aquele sorriso sádico de quem sabe que o pior estava para vir. A máquina não tinha parado; estava apenas a ganhar balanço para o verdadeiro teste de esvaziamento de pulmões. Seguiram-se subidas loucas e descidas tão vertiginosas que o meu monólogo interior se transformou num berro contínuo para o universo: "Mas isto ainda não ACABOU???!!!". Escusado será dizer que saí de lá quase afónica, com a dignidade flutuante, mas viva.

A verdade é que, os parques de diversões operam num registo de terror psicológico constante. Se não estamos na máquina a gritar, estamos cá em baixo na fila a assistir a episódios que não ajudam em nada as nossas convicções.

Como naquela atração em que aguardava pacificamente pela minha familia e comecei a ouvir choros abafados vindos de dentro de um túnel fechado. Olho para o lado e vejo uma senhora lavada em lágrimas. O drama? A filha, sendo demasiado pequena e leve, perdeu o impulso dinâmico e ficou simplesmente encravada a meio do tubo escorregador. Após o que pareceu uma eternidade burocrática, lá resgataram a miúda sã, salva e com os nervos em franja. O mais bizarro? Passadas duas horas, lá andava a miúda e a mãe em tubos dez vezes piores, provando que eu me assusto sempre mais do que os outros ou que os outros têm uns nervos de aço…!!!

No final do dia, o balanço do nosso grupo parecia o relatório de um hospital de campanha: o meu G. bateu com tanta força no chão de um divertimento que achámos que tinha partido o crânio, o meu mais-que-tudo saiu todo esfolado de outra pista e eu quase perdia a integridade física do meu próprio rabo noutra curva apertada. Ainda assim, cá em casa o motivo de chacota oficial continua a ser a imitação que os miúdos fazem de mim a andar nas montanhas-russas. Berro rigorosamente o mesmo quer numa mini lagarta para bebés quer numa estrutura de alto calibre de aço.

Dizem que devia sentir vergonha, mas discordo. Acho maravilhoso mostrar aos nossos filhos que os pais também têm medos e vulnerabilidades, mas que, por amor a eles, desafiam-se a si mesmos e vão. Afinal de contas, a vida em si é uma gigante montanha-russa na qual somos empurrados a andar. E se os meus filhos conseguem enfrentar as curvas da diversão de peito aberto e sorriso no rosto, que o façam também com as curvas da vida. Que entendam que ter medo é normal, mas que o segredo é deslizar e, acima de tudo, ter a coragem de GRITAR…!

This article was updated on outubro 25, 2026

Olá, eu sou a Ana e este é o meu blog, o Baloiço das Histórias. Sempre gostei de ler e escrever.....e sobretudo de andar de baloiço. Espero que o apreciem tanto quanto eu e desfrutem da leitura. Beijos....

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