
Os Lenços de Papel
Num bolso vive um lenço com ar resignado,
À espera do momento de entrar em ação,
Sabe que o destino é pouco perfumado,
Mas enfrenta corajoso qualquer missão.
Há lenços vaidosos de toque macio e gentil,
Que juram ser luxo em situação banal,
Mas ao primeiro espirro perdem o perfil,
Num enxurrar nasal nada sensacional. ☺ ☺
Outro mais dramático recusa cooperar,
Rasga-se a meio sem qualquer explicação,
Deixando o utilizador perplexo a olhar,
Pensando: “isto devia vir com instrução!” ☺ ☺
Há ainda o lenço que foge do nariz,
Prefere limpar óculos com ar superior,
Dizendo: “não nasci para esse serviço infeliz,
Tenho talento para algo muito melhor!” ☺ ☺
E no fim do dia, cansados do seu papel,
Os lenços despedem-se de forma veloz,
Sabendo que serviram de forma fiel,
Salvando os narizes de todos nós! ☺
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